BOOKS || Tudo o Que Eu Nunca te Contei (Celeste Ng)

Autor: Celeste Ng
Tradutor: Julia Sobral Campos
Editora: Intrínseca
Série: Não
Temas: Romance, Comportamento, Suspense, Mistério
Na manhã de um dia de primavera de 1977, Lydia Lee não aparece para tomar café. Mais tarde, seu corpo é encontrado em um lago de uma cidade em que ela e sua família sino-americana nunca se adaptaram muito bem.
Quem ou o que fez com que Lydia — uma estudante promissora de 16 anos, adorada pelos pais e que com frequência podia ser ouvida conversando alegremente ao telefone — fugisse de casa e se aventurasse em um bote tarde da noite, mesmo tendo pavor de água e sem saber nadar? À medida que a polícia tenta desvendar o caso do desaparecimento, os familiares de Lydia descobrem que mal a conheciam. E a resposta surpreendente também está muito abaixo da superfície.
Conforme analisa e expõe os segredos da família Lee — os sonhos que deram lugar às decepções, as inseguranças omitidas, as traições e os arrependimentos —, Celeste Ng desenvolve um romance sobre as diversas formas com que pais, filhos e irmãos podem falhar em compreender uns aos outros e talvez até a si mesmos. Uma uma observação precisa e dolorosa do fardo que as expectativas da família representam e da necessidade de pertencimento. Um romance que explora isolamento, sucesso, questões de raça, gênero, família e identidade e permanece com o leitor bem depois de virada a última página.
>>>PRIMEIRA FRASE DO LIVRO<<<
“Lydia está morta.”

RESENHA<<< 
Olá povo lindo, eu tenho esse livro desde o primeiro lançamento, a capa era outra e agora estou com a capa nova. Eu gosto das duas! S2

Estejam preparados para terem seus sentimentos revirados de ponto cabeça, pois Celeste Ng traz uma história cheia de dramas familiares, sofrimentos, fortes emoções.

O livro é ambientado nos anos de 1970 em Ohio e nos traz uma família que seria comum aos nossos olhos em uma primeira olhada. A família é composta por pais, James e Marilyn e seus filhos, Hannah, Lydia e Nath. Em dado momento o inesperado acontece, o corpo de Lydia, de apenas dezesseis anos, é encontrado no fundo de um lago e é no desenrolar desse contexto de ter a filha querida morta e a incansável busca por respostas, que vamos percebendo como a família Lee funciona na sua intimidade. Sabe aquela famosa frase "o que você faz quando ninguém está olhando?", pois é bem por aí.

James é professor universitário, enquanto Marilyn era uma notável aluna em Harvard, mas como muitas mães, deixa seu sonho de ser médica de lado, para crias seus filhos. Quem olha superficialmente, vê uma família como qualquer outra e pode-se dizer que são bem realizados e tem tudo no controle. Bom, mas tem uma coisa que ainda não contei, Marilyn é uma mulher branca, casada com um descendente de chinês e sabemos que existe todo tipo de preconceito, desde anos antigos, até os dias de hoje. Com isso a família vive de forma isolada, não tem amigos, não se relacionam com vizinhos. São eles e eles mesmos. O que não é nada bom e nem mesmo saudável. Sabemos que pais tem a tendência de planejarem coisas para os filhos e refletir neles aquilo que não foram, que desejam ou gostariam. Comigo, no mundo real, não foi nada diferente, meu pai tinha muitos planos para o meu futuro quando eu tinha dezesseis anos, mas eu não fiz nada do que ele planejou. Mas isso é história para outro momento, apenas me lembrou um pouco do meu próprio passado, não tão distante assim (dezesseis anos atrás).

Voltando ao livro, na família Lee, tanto James, quanto Marilyn, apesar de ter três filhos, parece que se concentram muito mais em Lydia. O que a família Lee não percebe é o quão perto estão, e quão longe se encontram, pois apesar da proximidade física, eles não têm uma relação aberta. Assim como os pais se isolam e vivem em uma espécie de bolha por conta do preconceito de raças, seus filhos passam pelos mesmos preconceitos, e não compartilham e é com a morte de Lydia que tudo passa a ficar mais exposto e aberto. Que vemos que na família bem-sucedida e supostamente feliz tem tantas rachaduras quanto se pode imaginar. Percebemos também o quanto guardar certas coisas para si, traz todo tipo de problemas e mal inimagináveis e que alguns desses males não tem volta. 

Falando sobre as minhas impressões. Eu fui mãe aos dezesseis anos e não a princesa do papai que estava sendo educada para se tornar independente, graduada em Direito, bem-sucedida e dona de mim. Pelo contrário decepcionei meus pais de muitas maneiras e sofri muitas consequências por isso. Tendo estado sozinha com um filho nos braços e contar com a sorte e ajuda de pessoas para conseguir me reerguer. Mas acho que tudo na vida tem um porque, um motivo.

Por qual motivo contei isso para vocês? Por meus pais se espelharem em mim, sonharem através de mim, para suprir os sonhos que eles não alcançaram, os ideais que deixaram de lado, as frustrações que se abateram nas próprias vidas por inúmeros motivos. Sabe, é um peso enorme carregar os sonhos de outras pessoas. E é exatamente assim que acontece nessa história, pais que refletem nos filhos o que gostariam e criam expectativas imensas, é como se através de nós filhos, seja na ficção ou na realidade, fôssemos uma espécie de segunda chance para aquilo que eles perderam. Eu até hoje, tendo decepcionado meus pais, ainda busco cumprir certas coisas, para amenizar as "tristezas" ou "decepções" que eu causei, para vocês terem ideia do quanto é complicado carregar o peso dos desejos dos pais nas costas. 

Por isso, com meus filhos eu digo para ser o que quiserem ser, estudar o que quiserem estudar. Apenas quero que sejam felizes nas escolhas que fizerem, e se no meio do caminho perceberem que as escolhas não foram as que realmente lhes faz bem, espero estar lá para apoiá-los!  

Eu não vou revelar muito da história, além do que eu disse para não estragar a surpresa de quem for ler. Eu posso dizer com total convicção que é uma leitura excelente, ainda que eu achei que a autora por diversas vezes contou detalhes demais, tornando a leitura um pouco lenta em alguns pontos. Ainda assim, eu fiquei grudada em cada página e pude perceber a realidade dessa família em vários aspectos no que eu mesmo vivi e no que sei que muitas outras pessoas viveram e ainda vivem. Pois nos dias de hoje, conheço pais que já planejaram toda a vida dos seus filhos, sem parar para escutá-los, sem conhecê-los de verdade (personalidade, gostos, desejos) e ainda que vejamos muitos jovens falando o que pensam, ainda tem aqueles reprimidos por suas famílias e meio. 

Então, mega recomendo esse livro para os pais, futuros pais e para aqueles que são filhos, pois através da ficção, podemos entender e reconhecer muito da realidade da vida e quem sabe usar um ou outro exemplo para melhorar algo na mesma. 

Ah! E hoje, sou muito amiga dos meus pais. Dezesseis anos atrás eu não tinha a liberdade que tenho hoje com eles, de conversar, expor o que sinto. E tenho nos meus pais meus grandes amigos e incentivadores, que além de me amarem e me apoiarem nas escolhas que faço hoje, procuram fazer o mesmo pelos meus filhos. Mas confesso que meu pai não perdeu a "mania" de "desejar" ou "querer" coisas para os meus filhos. O ciclo continua, eu apenas não permito que isso afete meus filhos. Uso os bons conselhos e descarto os que são para ser de escolha pessoal dos meus filhos e não de outras pessoas, seja quem for.


Beijos e até a próxima!

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1 comentários

  1. Oi, Karini.
    Depois de receber um exemplar do novo livro da autora, decidi ler esse também, mas ainda não tive chance.
    Ao contrário de você eu sou exatamente a "a princesa do papai que estava sendo educada para se tornar independente, graduada em Direito, bem-sucedida e dona de mim.", mas isso nunca significou que minha vida foi mais fácil, ou que eu não tive que carregar nas costas as expectativas dos outros.
    Acho que o livro pode ser interessante!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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