POISON BOOKS - Assassinato na Torre Eiffel (Claude Izner)

Em 05 novembro 2014
Autor: Claude Izner
Tradutor: Elisa Nazarian
Editora: Vestígio
Série: Sim, livro 1 (série Victor Legris)
Temas: Adulto, Policial, Suspense,
SINOPSE - Como inúmeros visitantes do mundo inteiro, Victor Legris, livreiro da rua dos Saints-Pères, está a caminho da Exposição Universal, onde a torre Eiffel, recentemente inaugurada, é a verdadeira estrela. Nesse início de verão de 1889, os parisienses têm dificuldade para circular na multidão aglutinada entre as barracas coloridas, nos corredores invadidos por riquixás chineses e adestradores egípcios. No primeiro andar da torre, Victor vai se encontrar com Kenji Mori, seu sócio, e seu amigo Marius Bonnet, que acaba de lançar um novo jornal, o Passe-Partout. Mas o encontro é subitamente interrompido: uma mulher acaba de morrer, vítima de uma estranha picada. A partir daí, tem lugar uma série de mortes inexplicadas que vão marcar a vida de Victor Legris como investigador e fazer você mergulhar na capital dos impressionistas.


>>>PRIMEIRA FRASE DO LIVRO<<<
“Nuvens de tempestade corriam sobre a estepe imprensada entre as fortificações e a estação de mercadorias de Batignolles.”

RESENHA<<<
Sou apaixonada pela cidade, sempre tento dar uma chance quando algum livro fala algo sobre Paris, principalmente quando tem coisas a ver com a minha área – Arquitetura, por isso a premissa do livro me contagiou. Era uma boa pegada = Suspense + Paris + Inauguração da Torre Eiffel, um suspense leve numa cidade que curto e um dos panos de fundo seria a grande construção de metal que chocou uma época.

A ideia do livro é boa, mas ela se perdeu em muitos momentos, e isso acabou rendendo um cansaço na leitura e muita vontade de querer desistir ou ficar empacando a espera de algo melhor acontecer na história. O excesso de personagens e a falta de algo mais elaborado acabou detonando um livro que poderia ter sido muito mais.

Começando pelo ponto positivo, a idealização da época é o melhor, as roupas, meios de transportes, as habitações e como o povo pensava a respeito de muitas coisas foram bem retratados, então sempre que abria o livro era levada para essa ‘belle époque’. As autoras (sim, esse nome é um pseudônimo de duas irmãs que escreveram essa série juntas) realmente fizeram uma pesquisa detalhada, incluindo localizações e hábitos dos franceses.

Os personagens são em excesso e foram mal aproveitados. Temos Victor, nosso personagem principal e quem vira detetive porque seu funcionário gosta de atualizar sobre os ‘causos’ dos jornais. Além disso, ele começa um 'affair’ e parece que sua escolhida sempre está nos mesmos lugares e momentos dos mortos. Seria ela uma assassina?

Os outros personagens aparecem poucos, mas alguns são intrigantes e poderiam ter apimentado mais a história, uma grande parte é misteriosa e não sabemos se eles quem dizem ser, mas ficam muito de lado e acabaram sendo mal aproveitados.

O final do mistério foi uma grande balde de água fria, durante o livro a gente descobre junto com Victor como as pessoas morriam, mas não os porquês. Porém, no fim o assassino conta o motivo e realmente foi tão sem graça e praticamente não teve muita ligação com tudo que foi mostrado na história. Se ele não nos contasse a gente ia achar que o crime era sem motivo, só por matar. A ligação entre o que foi narrado na história e aversão do assassino ficou e muito a desejar.

A narrativa das autoras é muito ‘empacante’, não nos emociona e muitas vezes nos faz querer deixar o livro de lado. Acabamos seguindo em frente porque queremos saber o que de fato vai acontecer e como tudo vai se resolver, por isso é preciso paciência e perseverança para seguir em frente.

O livro é daquelas séries que não são séries, ou seja, o personagem principal – Victor é o mesmo de outros livros com novos mistérios nesse período. Não sei se irão chegar ao país, mas a série tem uns 10 livros lá fora e os franceses curtem bastante.

>>>Nas redes sociais há mais venenos <<<