POISON BOOKS - Quem Teme a Morte (Nnedi Okorafor)


Autor: Nnedi Okorafor
Tradutor: Mariana Mesquita
Editora: Geração Editorial
Série: Não
Temas: Jovem-Adulto, Distopia?, Aventura, Magia, Jornada
SINOPSE: Numa terra devastada por uma hecatombe nuclear, uma jovem e misteriosa mulher com o incomum nome de Onyesonwu – que pode ser traduzido como Quem Teme a Morte – descobre que tem superpoderes e foi escolhida para salvar a humanidade. Este seria um romance distópico como qualquer outro se não transcorresse na África e sua autora não fosse a surpreendente Nnedi Okorafor, elogiada pelo prêmio Nobel nigeriano Woyle Soyinka. Fantasias, batalhas, tradições e alta tecnologia, sonhos, visões, discriminação racial e sexual, tudo se mistura numa narrativa tensa e poética que confere uma nova linguagem para os romances do gênero.


>>>PRIMEIRA FRASE DO LIVRO<<<
“Minha vida desmoronou quando eu tinha dezesseis anos.”

RESENHA<<<
Duas coisas me chamaram atenção para ler esse livro – uma foi a distopia (sim, eu queria ler uma distopia que pudesse ser diferente das que ando lendo por aí) e o segundo motivo foi se passar na África, acho que nunca li nada que realmente se passa por lá. Já li alguns livros onde a busca por alguns itens os levam até o continente e voltam, mas um livro inteiro ali, foi a primeira vez (que eu me lembre).

Sobre a distopia... esqueçam, pouquíssimos momentos a gente percebe que se passa em um futuro, na verdade a questão do tempo está bem ruim aqui na história, durante muitos momentos a gente perde completamente a noção de que período a história se passa, você não sabe se é passado ou futuro ou presente e pode ser qualquer um dos três, isso não faria diferença no decorrer da história.

A autora fez uma mistura interessante sobre a cultura africana e uma grande aventura sobrenatural. Misturando elementos do dia-a-dia da cultura africana, como o ‘rito dos onze anos’ ou as grandes questões politicas envolvendo guerras, estupros, assassinatos entre povos, deuses diferentes e suas culturas através de xamãs, ela narra a vida de Onye, uma menina marcada desde seu nascimento e como foi difícil para a mesma crescer, afinal seu próprio nascimento a colocou em uma classificação ruim. As pessoas não gostam da mistura que ela é. Na verdade não gostar é pouco, praticamente a querem morta.

A história apesar de ser contada em terceira pessoa, a gente só acompanha as coisas que Onye vê ou sente, a não ser em momentos que ela recebe uma espécie de visão, onde ela consegue ver o passado e/ou futuro. Acompanhamos também toda a sua história. Geralmente isso não é muito comum em livros de aventura/distopia/qualquer coisa, sempre é uma série (longa), mas aqui a autora foi feliz em fazer um livro único contando as aventuras da menina.

A narrativa da autora começa de forma lenta no início, talvez seja porque ela explica com detalhes (às vezes tristes e revoltantes) a cultura africana, seus povos, diferenças e o pensamento das pessoas. Até a gente ter uma noção melhor de como tudo funciona, a leitura avança devagar, mas depois os capítulos curtos e a pouca repetição da história dá uma boa agilidade e a gente começa a querer saber o que de fato vai acontecer.

Foi um livro que me fez pensar sobre muitas coisas, o lado triste da cultura africana, saber que em alguns lugares do mundo as mulheres continuam sendo vista como mercadorias/seres inferiores, certos rituais que por mais possa ser para ajudar as meninas (o ritual dos onze anos consiste em retirar o clitóris. No livro explica que algumas delas já tinham relações sexuais – muitas vezes forçadas – e isso faz com que as meninas sintam dor e evita continuar o ato), também as aprisionam com suas ideias de deuses e sabedorias populares erradas.

Não é um livro que estamos muito acostumados a ler, mas levando para o lado sobrenatural, foi uma aventura interessante e diferente do que estamos acostumados. Apesar dos comentários do paragrafo acima, Onye é uma menina forte e persistente e que mesmo com as chances sendo nulas e sabendo do seu futuro, ela foi atrás do que é certo e poderia melhorar seu mundo. Poucas protagonistas sabem o que querem e ela foi uma delas.

>>>Nas redes sociais há mais venenos <<<

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