POISON BOOKS - A Abominação (Jonathan Holt)

Em 11 julho 2014

Autor: Jonathan Holt
Tradutor: Marilene Tombini
Editora: Record
Série: Sim, livro 1 (série Carnivia)
Temas: Adulto, Suspense, Investigação
SINOPSE: Quando o corpo de uma mulher vestida em trajes sacerdotais é encontrado em Veneza, a capitã Kat Tapo é designada para o caso. Avançando na investigação, ela esbarra na pesquisa da segunda-tenente Holly Boland, sobre acontecimentos relativos a abusos cometidos na Guerra da Bósnia. Ao mesmo tempo, Daniele Barbo, dono do Carnivia — uma recriação virtual de Veneza —, é condenado por crimes na internet, mas desconfia da motivação da acusação. Os três buscam respostas, porém, ao verem suas suspeitas convergirem para o mesmo ponto, percebem estar envolvidos em algo muito maior.



>>>PRIMEIRA FRASE DO LIVRO<<<
“A pequena embarcação saiu do ancoradouro, seu motor de dois tempos não mais que balbuciou na popa.”

RESENHA<<<
Com uma trama inteligente, sagaz e um enorme quebra-cabeça, onde o leitor acha que está arrebentando, e de repente as investigações e provas que vão aparecendo nos leva para mais distante do que estávamos no início. Essa é a premissa do primeiro livro da série Carnivia, uma mistura inteligente de realidade virtual, crimes de guerra, diplomacia e a busca por fazer o que é certo.

O livro possui 3 personagens principais e acompanhamos cada um a medida que novas informações são acrescentadas à trama. Primeiro temos a oficial americana Holly, que após ser criada na Itália está de volta à terra das lambretas e cultura. No primeiro momento não gostei da personagem, achei que ela seria do tipo obedecer as ordens mesmo que isso custe a vida de outras pessoas, porém ela se deparar com algo grande e começa a correr atrás e subiu muito no meu conceito.

Farei um parêntese aqui – no livro o autor foi bem ousado ao falar do Exercito Americano, sabemos que dentro dos Estados Unidos o mesmo é visto com muito orgulho, o que não ocorre com as forças armadas de um modo geral nos outros países (inclusive aqui no Brasil), mas a verdade é que o Exercito Americano não é bem visto no restante do mundo, todo mundo fica com aquela impressão de que os EUA estão se metendo aonde não é chamado e querem garantir hegemonia e ‘dominar’ o território alheio. O autor levanta algumas dessas questões ao longo do livro e isso foi bem pertinente com que a história conta, que algumas vezes o que você defende com unhas e dentes nem sempre é tão correto assim.

“Para fazer um homem comentar atrocidades,
Primeiro faça-o acreditar em absurdos.”
Voltaire

Do outro lado temos a carabinieri ou simplesmente a policial italiana Kat em seu primeiro caso de homicídio que parece ter a ver com seitas religiosas e à Máfia Italiana. Gostei bastante da personagem, ela é forte, não se deixou abater e mostrou que as mulheres podem ser tão intensas e ousadas quanto os homens quando buscam por justiça, principalmente quando descobre a questão dos crimes de guerra.

E por último, temos Daniele, dono do site Carnivia, um nerd/hacker que tem um poderoso mundo virtual, uma cópia perfeita de Veneza e a policia, Máfia, Igreja e sei lá mais quem, quer porque quer que ele libere o acesso, porém isso vai contra tudo que ele sempre lutou. O Carnivia passou a ser o único local seguro onde é possível trocar informações sigilosas e perigosas.

As pistas vão sendo liberadas aos poucos, não há uma ordem de narrativa (tipo, um capítulo é da Holly, outra da Kat e outro do Daniele), às vezes a gente avança mais nas descobertas de um do que do outro, e a principio não entendemos como os três podem estar ligados, mas a medida que as coisas vão sendo explicadas e por favor, seja forte, porque em alguns momentos é preciso ser forte para ler sobre a crueldade humana. O autor soube manter o nosso interesse do começo ao fim.

O livro tem muita ação, ótimas descrições de Veneza (cadê eu indo passear de gondola e vaporetto, minha gente?!) e uma ótima teia. A leitura ágil e intrigante também é um caso a parte. O bom do suspense é que você não pode saber de cara o que está acontecendo, porque seria obvio e chato, mas o autor soube dosar as informações e vamos aos poucos fazendo as ligações e quando chegamos ao final a gente pensa ‘como assim, já acabou?’.

>>>Nas redes sociais há mais venenos <<<