POISON BOOKS - Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo (Benjamin Alire Sáens)


Autor: Benjamin Alire Sáens
Tradutor: Clemente Pereira
Editora: Seguinte
Série: Não
Temas: Jovem-Adulto, Vida, Cotidiano
SINOPSE: Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão. Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas - e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.


>>>PRIMEIRA FRASE DO LIVRO<<<
“Certa noite de verão, caí no sono desejando que o mundo fosse diferente quando eu acordasse.”

RESENHA<<<
Uma bela visita ao passado.
Gostei bastante de ter lido o livro, apesar de não achar tão maravilhoso quanto as reações que andei lendo, ele me trouxe uma nostalgia positiva, foi como abrir um diário e rever sentimentos e momentos ligados à adolescência. Medos, desejos, sonhos, incertezas e tudo que se passa na cabeça dos jovens.

O ritmo é lento, e isso se deve ao fato de não ter cenas de ação, pois mais de 75% do livro é reflexivo, lemos como Ari se sente sobre a vida, sua família, o mundo e a chegada do vizinho – Dante. Por isso ele acaba tendo essa vibe de ‘diário’, pois narra momentos e fatos importantes na vida dele e como consequência na do amigo.

Eu gostei das coisas que o autor levantou, Ari é um personagem que se sente sozinho apesar de ter uma família enorme, é alguém que evita as pessoas, não sabe que rumo tomar. As emoções passadas apesar de nãos erem intensas são reais. São divagações e medos e desejos reais, isso passa ao livro uma fidelidade muito grande.

Porém, acho que pequenas nuances fugiram do contexto, o livro se passa em 1987 e há muitas situações e gírias e momentos ‘prafrentex’. Principalmente por tratar de um tema que mesmo nos dias de hoje ainda há pessoas com pensamentos tão quadrados, imagina há quase 30 anos atrás? Achei que o autor quis criar um mundo de muita paz e amor que não era condizente com a realidade.

“Ocupado não significa feliz.
Sei disso.
Mas pelo menos não ficava entediado.
Tédio é a pior coisa.”

Amei os pais de Dante e os de Ari, pais que realmente se preocupam com os filhos e o tratam como alguém que pensa, mesmo sabendo que a juventude erra nas coisas mais bobas, mas também achei que eles aceitaram o fato de os filhos serem gays de modo tranquilo demais. Acredito que nos dias de hoje isso seria possível, mas esperava alguns momentos de uma reação negativa ou menos permissível do que foi.

Apesar da leitura de um personagem real, durante alguns momentos me perguntei sobre qual era a verdadeira idade deles, a ideia era que fosse dos 15 aos 18 anos, mas ao longo do livro fiquei com algumas dúvidas, ora tinha impressão que o autor escrevia como se eles tivessem menos (alguns comentários e certas descobertas só vão acontecer quase aos 18 anos e achei que fugiu da realidade) e em outros momentos pareciam ter na faixa dos 20, pois algumas conversas eram ‘papos-cabeças’ demais para quem tinha levantado questões simples a algumas páginas atrás.

Apesar de não ser a história mais emocionante que li, ela abordou em certos assuntos, mesmo que de uma forma muito poética que foi bacana. Mostrou um pouco do YA sem ser aquelas eternas briguinhas de escola e meninas querendo ser líder de torcida e rapazes atletas de cabeça-oca.

>>>Nas redes sociais há mais venenos <<<

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