BOOKS || Seres Incríveis (Tracy Chevalier)

Autor: Tracy Chevalier
Tradutor: Beatriz Horta
Editora: Bertrand Brasil
Série: Não
Temas: Adulto, Romance,
Desde que foi atingida por um raio quando bebê, Mary Anning sempre foi uma pessoa diferente, destinada a grandes feitos. Ao descobrir fósseis de seres desconhecidos nas falésias de Lyme Regis, ela revoluciona o universo científico com ideias desafiadoras sobre a criação do mundo e estimula o debate sobre a origem da humanidade. Durante o processo de escavação, Mary encontra apoio na inteligente Elizabeth Philpot, uma solteirona de classe média, que também é obcecada por fósseis. O relacionamento delas desenvolve um delicado equilíbrio entre a fidelidade total e a inveja maldisfarçada. Apesar das diferenças de idade e origem, Mary e Elizabeth descobrem que, na luta pelo reconhecimento, a amizade é a arma mais forte para elas. Neste encantador romance, duas mulheres farão descobertas que mudarão o mundo. Ao longo da história, Tracy Chevalier enriquece a trama através do detalhamento dos hábitos da época, assim como da paisagem, das roupas, da questão religiosa e, principalmente, da arqueologia. “
>>>PRIMEIRA FRASE DO LIVRO<<<
“Sempre me impressionei com raios.”

RESENHA<<<
Pela sinopse do livro, achei que poderia ser algo ligado à bruxaria (nada contra ao tema, inclusive acho que as bruxas não andam dando sorte), porém o livro narra uma interessante e diferente perspectiva da vida feminina por volta de 1800, sabemos que as mulheres não eram nada além de mercadorias, mas ver que algumas conseguiram sair dessa prisão e colaborar de forma interessante, foi o grande achado desse livro.

O livro é narrado por duas personagens e pelo fato de eu ter lido a prova do livro, não sei se no final irão melhorar essa questão, a gente quase não percebe isso nos primeiros capítulos, pois não há troca de fonte e alguns detalhes são sutis, e por não sabermos ainda o quem é quem, a gente acaba ficando meio perdido. Então os capítulos ímpares que narra é a jovem Mary e os pares é a Elizabeth e as duas contam às vezes o mesmo fato com visões diferentes, mas também a vida delas na pequena cidade.

Eu tive umas birras com as duas personagens, a vida delas era muito regrada e percebo que os momentos de catar e descobrir os fósseis eram momentos que se libertavam, mas Mary muitas vezes fazia besteira (e das feias) e a família dela achava que Elizabeth deveria arrumar tudo e ela ia e resolvia, nas primeiras vezes não me incomodei muito, mas quando a coisa começou a ficar recorrente acabei ficando irritada e acho que a autora pecou um pouco, afinal a reputação de uma dama naquela época era algo importante, e tinha momentos que ela não deu importância a isso.

Em alguns momentos a narrativa se torna um pouco enfadonha, mas gostei de observar a luta e o interesse principalmente da Elizabeth em fazer parte e se inteirar das descobertas dos fósseis e todo aquele movimento cultural da época (que era proibido as mulheres), o livro bate bastante nessa tecla e por ser um assunto que leio pouco, relevei alguns momentos a mesmice devido o contexto geral.

O jeito de narrar é um pouco diferente do que estamos acostumados, não apenas o fato de cada capítulo ser uma das mulheres, mas a ordem cronológica das coisas ou como algo pode ser mais importante para uma do que a outra e o jeito que isso é estruturado no texto, tanto que temos capítulos curtos e outros bem longos. Às vezes um capítulo poderia avançar bem no tempo, 2/4 anos.

Apesar de termos uma gama de personagens, os que destacam além das protagonistas é a família de Elizabeth, mostra bem como era naquela época, se uma moça não casasse como ela iria viver e a ânsia das mesmas pelo casamento, como isso poderia afetar sua reputação. E também a família de Mary, acho que eles são os mais ‘guerreiros’, são humildes e tudo muda tanto que vi a mãe e o irmão da menina como grandes personagens no final do livro.

Não é um livro que estamos acostumados a ler, mas gostei da experiência. Algumas coisas mal encaixadas e perda de ritmo me fizeram chegar ao final do livro com um sentimento de que poderia ter sido muito mais do que foi, mas para quem às vezes fica se perguntando, onde será que tem outro tipo de coisa para ler (seja gênero ou ideia), acho que vale dar uma chance. No mínimo é uma boa experiência.

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