POISON QUICKS - O Futuro (Semana do Ebook)

Em 06 abril 2013


Semana do E-book
Seis blogs se reuniram para esmiuçar melhor o fenômeno dos e-books com a chegada dos e-readers no Brasil. Muitas dúvidas tem ficado no ar e alguns não sabem o verdadeiro impacto dessa mudança no mercado editorial. Assim, abordamos temas pertinentes ao assunto. Claro que sabemos que o assunto não se esgota aqui. Então, caso tenha alguma informação para compartilhar, ou uma pergunta para fazer, sinta-se à vontade! Nosso objetivo é discutir uma realidade que está batendo à porta. Não vemos os e-books como inimigos dos livros físicos, e sim como mais uma opção de leitura em um mundo onde ambas formas podem co-existir harmoniosamente.



E depois de ler todos esses posts sobre ebooks, mercados, publicação independente, valores e afins.... É, eu sei que nessa semana vocês aprenderam e muito sobre o ebook e todas as suas consequências e diferenças. Mas aposto como ainda ficou se perguntando e o livro vai acabar? Como vai ser essa relação do ebook x o livro físico?

O último post da semana vai trazer divagações sobre o futuro e informações (pessoais) e coletadas por aí sobre o assunto. Então, abra a sua mente e vamos lá!

O ‘ebook’ surgiu na minha vida tem um tempinho e claro que antes de ter o leitores digitais, a única solução era ler pelo pc. Não que seja ruim, mas concordo que era desconfortável, mas a gente já leu alguns ‘ebooks’ pelo pc, quando a gente lê um documento em pdf ou em word, seja uma tese ou uma apostila, querendo ou não estamos lendo no computador algo formatado sem levar em consideração ao usuário e essa é a diferença numero 1 dos leitores digitais – a formatação das páginas dos livros são feitas para caber na tela de forma bacana, ou seja, em uma fonte que a gente realmente consiga ler. Já reparou que nos programas/apps para leitura digital vem um número louco de páginas? É exatamente por isso! As páginas são formatadas seguindo o padrão do local onde você vai ler, por isso possui números maiores do que nos livros físicos.

Entendendo o básico partimos para a grande questão – livro x ebooks? Vale a pena?
O ebook nunca vai substituir o livro, quantas tecnologias já chegaram e todo mundo aprendeu a conviver bem com elas? Tanto o novo quanto o antigo, a gente sente saudade, mas aos poucos a gente entende que é muito mais prático usar desse jeito. Com um leitor digital eu posso andar por aí com mil livros (sim, 1000 livros), mas você não poderia fazer isso fisicamente, já imaginou o peso de levar 1000 livros na mochila? Às vezes quando levamos um daqueles gordinhos já reclamamos do peso. Então olha que vantagem, poder pensar em um livro, comprar aonde quiser (desde que se tenha wifi) e colocar lá na sua biblioteca lindinha. Seus problemas de acabar um livro em uma viagem se foram! E nem aquela coisa de ‘o que devo escolher para levar?’ com o leitor você pode levar a biblioteca inteira!

Sim, os leitores têm vantagens, mas nada como o cheiro do livro novo... hum, abri as páginas e sentir o cheiro de algo novo, tirar do plástico e ficar namorando na estante ou até mesmo na livraria. Às vezes, tudo que a gente quer é ficar folheando as páginas e isso, o leitor ainda não dá! Então como resolver essa questão?

Eu, particularmente, tenho deixado de lado a ideia de ter um monte de livros. Na minha estante só estão aquelas séries que eu realmente amei e que leria novamente (em algum momento que a minha lista de leitura diminuir, o quando será isso, eu ainda não sei), se eu só curti a história, mas não morri da amores por ela, leio/leria tranquilamente em um leitor, pois na maioria das vezes até troco meus livros.

Eu sei que tem muita gente que não é evoluída assim, então para mim, os ebooks representam uma vantagem – o preço! – quando compro um ebook, geralmente ele é mais barato que o livro físico – na faixa de R$9,90 – enquanto o livro fica na faixa de R$20,00. Claro que depois de um tempo temos aquelas promoções maravilhosas, mas porque esperar baixar?

Então o que eu tenho feito ultimamente? Os livros que eu já sei que vou amar ou que acompanho e faço coleção eu continuo comprando os livros porque quero que eles fiquem lindinhos na minha estante e os que eu li o primeiro ou a história não me agrada muito, eu fico com os ebooks.

A minha esperança é que o preço dos ebooks sejam tão barato quanto ocorre lá fora, que fica na faixa de U$$2/3, o que daria entre R$4,00 ou 5,00 (o preço que eu acho justo), e aí a ideia seria comprar os livros em ebooks (até por causa de espaço) e quando amasse algum partiria para comprar o livro físico depois.

Deixando o preço de lado, não vejo muita diferença na hora de ler em um ou outro (ok, tirando essa coisa de cheirar o livro ou sentir as páginas), mas em termos de emoção ou ansiedade da história e de todas as informações contidas é a mesma coisa, tem os mesmos dramas e a mesma relação amor-ódio que tenho nos livros. Acredito que por já ter lido antes pelo pc, eu seja mais ‘aberta’ a essa ideia, mas tenho visto o pessoal se rendendo aos leitores.

Leitores Digitais e Consumidores:
No post especial sobre o assunto, explicaram bastante sobre eles e quais os modelos temos no Brasil, mas como eu tenho um kindle e um iPad, só posso falar desses. Seria meio injusto falar de outros sem conhecer, então minha experiência vai ser relacionado aos que eu tenho ok?

O iPad é bacana, um mundo de possibilidades, mas eu não aconselho as pessoas a lerem nele, pois por toda facilidade e todos os apps que instalamos, o que acontece? Toda hora você recebe mentions, ou aviso das redes sociais ou de outras coisas que possui, então para ler na boa, vale desligar a internet e se concentrar. A iluminação não é 100% para leitura (mas podemos mexer no foco) e o que é o pior para mim é a relação custo x benefício, ele é pesado para carregar como leitor, além de ser enorme. Imagina tirar um iPad no ônibus e começar a ler?

Nas minhas viagens para o exterior (tanto na Europa quanto EUA), as pessoas usam e muito o iPad, mas como o preço é mais acessível lá do que aqui, não é um artigo tão de luxo assim, então é comum ver nos museus, com crianças, no metrô e afins, as pessoas com seus aparelhos e usando como se fosse a coisa mais normal no mundo. No Brasil, já comecei a ver em alguns lugares, as pessoas levam para reuniões, ou em locais com mais segurança – tipo shoppings, centros culturais, aeroportos.

O bom para o iPad (e os tablets de modo geral) é que eles servem como um mini pc – lembrando que eles NUNCA vão substituir um computador – mas se você viajar muito, ou está sempre fora de casa e precisando de arquivos, mostrar e ler coisas, eles são mais versáteis.

Já como leitor digital eu tenho o kindle. Meu primeiro modelo foi o normal, mas hoje eu tenho um Fire. A diferença entre eles? ENORME!!!!
O kindle tem wifi e para comprar os livros na loja da Amazon é muito rápido, pois você já fica com sua conta cadastrada (cartão de crédito e endereço) e ao comprar um livro, automaticamente ele é enviado para o seu aparelho via wifi e se você quiser enviar algum arquivo (menos epub), basta fazer via email e a Amazon já baixa para o seu aparelho.

Como o leitor digital NÃO É PARA NAVEGAR NA NET, a leitura rende muito mais, ninguém fica me chamando, falando comigo e outras coisas, é exato como ler o livro. Fico lá, clicando nas setinhas e passando as páginas. O bacana? Ele tem dicionário embutido (em varias línguas), então se eu não sei alguma palavra, basta selecionar que ele já me dá a definição. Evita ter de largar o livro, pegar o dicionário, procurar e ler. Além de poder levar muitos livros, cansei de ler algo? É só mudar de livro e pegar algo novo. Rápido, prático e simples.

E o Fire? Ele faz tudo isso, mas ele segue a ideia do mini iPad (ele é bem menor que o iPad e ainda é menor que o mini), ele também tem aplicativos e quando realmente quero ler, deixo o wifi desligado, mas ele me serve para levar para ler e interagir em alguns momentos. O tamanho dele foi o diferencial na hora da compra, além do valor.

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Para quem quer começar a ler digitalmente, sigam essas dicas:
1 – Você realmente daria uma chance a ler digitalmente? Ou você não abre mão do livro? Se você responder sim a primeira, a abri mão do livro em alguns momentos, invista em aplicativos de leitura (no cel, no pc e nos tablets têm todos eles – kobo, kindle, saraiva, cultura), aí tente ler um livro (baixe de graça um simples) e veja como se sai.

2 – Se você realmente só quiser algo para ler e levar por aí, compre o modelo mais barato. O com luz é lindo e ótimo, mas ele custa R$100,00 a mais, você vai ler a noite? Ou apenas de dia no trajeto da escola/trabalho? Às vezes a gente inventa muito e não faz o principal. Então, comece devagar e dê uma chance com algo mais acessível, depois você melhora.

3 – Talvez seja preciso fazer uma estratégia de como vai ser sua relação com ebooks. A minha já foi dita. Conheço gente que tudo que tem na estante tem no leitor e alguns outros optam por comprar os livros de língua estrangeira apenas. Desenvolva a sua, ela não precisa ser estática, pode ir mudando com o tempo, mas vale para te ajudar.

Acho que com isso já começamos a definir o que queremos.

Mercado:
Como tudo na vida, o mercado brasileiro está se adaptando ao que acontece por aqui. Antes dos leitores digitais chegarem, às vezes o ebook custava mais do que que um livro físico (eu acho um absurdo isso!) e ainda hoje ainda tem alguns títulos que custam tão caros ou mais que os físicos, mas de modo geral os preços andam baixando. A faixa de hoje é R$9,90 e acredito que com o Kobo e o Kindle trazendo todos os modelos que está estão disponíveis lá fora (e consequentemente o preço deles baixando), acredito que os livros sigam a mesma linha e as pessoas comecem a ter uma nova mentalidade sobre isso.

Em relação aos preços, mesmo às vezes entendendo porque alguns títulos são mais caros que outros, ainda fica algo dentro da minha mente onde penso: “Eu nem estou pegando fisicamente no livro, porque estou pagando esse absurdo? O digital não deveria baratear as coisas?”. É, eu entendo pelo lado geral, mas antes de tudo ainda sou uma consumidora e a relação preço x livro ainda fica na minha mente. Nós sabemos que existem editoras mais ‘careiras’ do que outras, bem como um determinado autor que vale ou não investir no título logo antes ou esperar baixar o preço.

Uma coisa bacana que descobri recentemente apesar de ter um kindle a mais de 1 ano foi que na conta americana, é possível emprestar os títulos durante 14 dias, mas aqui no Brasil ainda não está vigorando. Eu entrei em contato com a Amazon.br e fiz esse questionamento, e eles disseram que estão trabalhando para trazer esse recurso para nós. Acredito que o fato de não estar habilitado ainda, tenha um pouco a ver com as editoras, mas estou no aguardo dessa ‘ferramenta’? ficar habilitada, assim acabaria com uma das minhas maiores tristezas com os livros digitais, não poder emprestar algum título para amigos (leia-se viciar alguém em alguma série/livro).
Outros - autores:
Todo mundo sempre me comenta sobre o preço do livro no Brasil, principalmente livros nacionais. As meninas falaram dos custos e da divulgação em seus posts, mas escrevo aqui como leitora. E tenho visto alguns autores nacionais investido em auto-publicação digital. Sendo sincera? É mais fácil eu pagar R$10,00 em ebook de um autor nacional (que na grande maioria das vezes eu nunca ouvi falar), do que R$40,00 no seu livro físico e muita gente pode não falar em voz alta, mas quando começar a ver os preços (as diferenças), talvez comesse a pensar como eu. Eu já falei para alguns autores investir nessa linha, uns acreditam e outros não. Nunca teremos dinheiro para ler tudo que gostaríamos, então porque encarecer ainda mais o livro? Porque não termos novas opções de leitura?

No EUA, onde temos uma quantidade expressiva de autores iniciantes, muitas vezes eles vêm dessa linha – auto publicação digital, ou ainda, publicaram digitalmente (como fanfics, lugares aberto onde autores escrevem e por aí vai) e a coisa ganha uma fama tão grande que acaba virando livro. Alguns livros famosos começaram assim – vide a fanfic que era 50 Tons de Cinzas [ao virar livro, a história passou por modificações].

Enfim, essa é uma discussão que vai acontecer até a eternidade, mas como disse no início do post, acredito que o leitor digital veio somar e não acabar com a leitura, e nós como amantes da leitura queremos ler o máximo possível.

Outros – marketing/editoras:
Difícil agir em duas frentes diferentes sobre o mesmo assunto, afinal as editoras acabam ficando um pouco apreensivas na hora de investir sobre o ebook, mas já tenho visto algumas fazendo parcerias e sorteando o ebook ao invés do livro. Minha pergunta é: o que os leitores acham? Eu não ligo. Eu quero ler a história e me emocionar, mas sei que tem gente que não abre mão do físico. Será que a partir de agora teremos 2 tipos de público? Aqueles que quando for sorteios e promoções digitais nem irão participar ou aqueles que começam a pensar como eu (mesmo que não sejam em todos os livros) e entendem que a ideia é ler e comentar sobre a história.

Quem é blogueiro e lê em inglês tem um site bacana chamado NetGalley, e o diferencial dele? É enviar a prova do livro no formato digital. Pode-se ler a história com bastante antecedência (o que às vezes é mega importante, porque tem livros que o coração aperta de tanto esperar pela continuação) e ao mesmo tempo as editoras que liberam as provas acabam já tendo os primeiros feedbacks. Será que é o futuro da parceria? Poderia as editoras terem mais parceiros? Outras pessoas poderiam também opinar? Com ebook corta-se uma série de custos que o livro físico possui, vou citar apenas 2: impressão e envio.

Falando de vantagens sobre os livros, a Amazon libera um trecho do livro antes de você comprar, vai que logo nas primeiras páginas você não curta a escrita da autora? Com o livro, você precisa ir à livraria e fazer o mesmo com o livro. Além de algumas vezes, quem compra ebooks ganham descontos ou uma espécie de cupom/código para adquirir o próximo livro da série antes de todo mundo ou desconto, sem contar falar mais do autor ou até inserir um trecho de outras histórias no ebook.

Final:
Aproveitei a #SemanaDoEbook para divagar a respeito das coisas que já tenho vivido ou alguns pensamentos sobre o tema. Gosto dos dois – ebook e livro físico – mas desde que temos cada vez mais espaços menores e o vício pela leitura aumenta, bem como a quantidade de livros lançados, acredito que possa ser uma boa solução. E com as novas ferramentas e recursos que anda vindo por aí, acho que tende a melhorar cada vez mais. Os livros não vão sair de cena, talvez seja possível ter algumas modificações (preço, formato e qualidade), mas o ebook veio somar na leitura, de forma a que todos possam ter acesso à ela.

O que vale mesmo é o bate-papo sobre o tema. Converse com quem já lê o que eles acham, algum autor se publicou digitalmente? O que ele achou e o seu público? Uma editora tentou um marketing diferente? Valeu a pena? E por aí vai. Há um ano falar do que falo hoje era praticamente impossível, pois pouquíssimos títulos eram em português e hoje, já temos vários títulos e o preço está baixando. Novos modelos de leitores digitais chegam ao país e com isso a ‘briga’ pelo consumidor melhora o preço. Quem sabe até o final do ano ou em 2014, as coisas já não estejam diferentes?

Iconográfico do Revolucaoebook.com.br sobre ebooks 

E vocês? O que acham? O que aceitam? O que não abrem mão?
Voltem nos posts dessa semana especial e leiam cada assunto com mais calma. E qualquer dúvida, sugestões ou divagações, usem a tag #SemanaDoEbook e venham interagir conosco!!!

Programação
#6 - O futuro - Mon Petit Poison (aqui!!)
#7 - Promoção - todos


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