BOOKS || Cidade de Ladrões (David Benioff)

Autor: David Benioff
Editora: Alfaguara
Tema: Guerra, Romance
Em Cidade de Ladrões, um jovem escritor, convidado para escrever um ensaio autobiográfico, decide trocar o relato de sua própria vida, "intensamente maçante", pela história do avô, que combateu os alemães durante o cerco a Leningrado, na Segunda Guerra Mundial.
Relutante, o avô aceita contar, pela primeira vez, o que ocorreu naqueles dias: uma odisseia de dois jovens determinados a sobreviver a todo custo, em meio ao frio, à fome, à loucura dos oficiais russos e ao perigo iminente do Exército alemão.
Lev Beniov, protagonista deste romance que tem como pano de fundo eventos marcantes da História contemporânea, é um jovem tímido e solitário. Preso pelos russos por não respeitar o toque de recolher, acaba dividindo a cela com Kolya, um rapaz carismático, acusado de abandonar a frente de batalha. Para que não sejam executados, os dois recebem de um coronel uma missão aparentemente impossível: encontrar, na cidade gelada e sem alimentos, uma dúzia de ovos para que a filha do oficial tenha um bolo de casamento decente.
Esse é o início de uma jornada às mais perigosas zonas de guerra - povoadas por canibais, prostitutas, crianças esfomeadas e implacáveis nazistas -, mas que os leva a conhecer o valor da verdadeira amizade e, no caso de Lev, à descoberta do primeiro amor.
PRIMEIRA FRASE DO LIVRO:
“Meu avô, que sabia lutar com facas, matou dois alemães antes de completar dezoito anos.”

RESENHA:
Hum... vão ser difícil falar desse livro, não porque ele seja ruim, ele é apenas diferente. Alias, um tema que eu quase não leio porque não me atrai muito – guerra – evito filmes, documentários e outros que tratam desse assunto. Mas enquanto lia minhas pequenas doses desse livro, eu me recordei de ‘A Menina Que Roubava Livros’, por isso quem já leu e não gostou do livro, com certeza não vai gostar desse.

Um dos fatos diferentes deste livro é ele se passar na Rússia, não me lembro de nenhum que se passa por lá (tirando Academia de Vampiros, mas toda a história é baseada na mitologia russa, então é meio obvio que em algum momento fossemos para lá). Conhecer um país continental como o Brasil, ainda mais um que 70% dele é frio pacas.

A viagem que os dois personagens fazem seria uma comedia se não se passasse nesse momento difícil e triste da história humana. Como ir procurar uma dúzia de ovos no meio da guerra? Tipo, a ideia é insana, mas ela é o momento alegre e leve. Quando eles se lembro do motivo de estarem longe de casa e passando frio, surgem as brincadeiras e os sonhos de como será o futuro dos mesmos.

Os dois personagens – Lev e Kolya – são uma graça. Lev é introspectivo, todo razão, sério. É o sábio da dupla, aquele que quando algo não dá muito certo nos viramos e perguntamos; O que devemos fazer? É daquele tipo de pessoa que passa uma sensação de que sabe tudo. Já Kolya é completamente diferente, extrovertido, fala muita bobagem, sempre pensando em sacanagem, fala demais. E tinha algumas vezes que me pegava dizendo para ele; Cala boca senão vai morrer! Ele já é ‘mais’ vivido, já esteve nas linhas de frente da guerra, mas mesmo assim não perdeu a alegria e bom humor.

Mas não é só de coisas tristes que o livro vive. Além de toda brincadeira com ovos e comida decente, há a típica brincadeira masculina – falar de mulher – e aí que tem varias tiradas engraçadas, pois Kolya te Lev ficam nessa eterna discussão sobre o que as mulheres querem, como agradar uma e outros. Agora imagina uma pessoa totalmente tímida falando sobre esses assuntos? E ainda sendo ‘zoado’ por alguém totalmente extrovertido? Nesses momentos você quase esquece do pano de fundo e percebe que em qualquer situação, as boas pessoas irão pensar em coisas alegres, divertidas.

Não vou entrar na discussão dos momentos tristes, em como o ser humano pode ser ruim, as cenas de cortar o coração, aonde o ser humano assume dois pensamentos – matar ou morrer – e quando chegamos nesse ponto tudo fica tão desolador. É um livro ‘pesado’, nada de ler muitos capítulos por dia, não é um jovem-adulto, é preciso digerir o que está lendo, ler junto com este livro algo engraçado e bonitinho para equilibrar.

A escrita é fácil e os capítulos nem são grandes. O autor detalha os fatos na medida certa, mas como diz o ditado – para bom entendedor meia palavra basta – e é aqui que as pessoas que já leram outras coisas terão uma boa base para entender todo o drama vivido durante a guerra.

Vale a pena ser lido, mesmo para quem não ame muito guerra como eu, pois tudo se encaixa perfeito. Como disse o autor de Caçador de Pipas (Khaled Hosseini) sobre o livro – “Cidade de Ladrões é emocionante, iluminador, impactante.” Apesar de não gostar muito do livro dele, eu concordo. Este livro é tudo isso!!!

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