POISON BOOKS - Noturno (Guillermo e Chuck)

Autores: Guillermo del Toro & Chuck Hogan
Editora: Rocco
Publicação: 2009
Páginas: 463
Capítulos: não há, divido por partes
Tema: Ficção, Vampiros

RESENHA DA CONTRA-CAPA:
Eles sempre estiveram aqui. Vampiros. Em segredo e na escuridão. Esperando. Agora é a hora deles.

Em uma semana, Manhattan estará acabada. Em um mês, os Estados Unidos. Em dois meses... o mundo.

Um boing 777 chega a JFK ocupando toda a pista. Todas as janelas estão quebradas, luzes apagadas, sem comunicação. As pessoas à espera de noticias, um alerta é enviado para o CDC. Dr. Eph Goodweather chefe do projeto Canário - uma equipe que investiga ameaças biológicas - é enviado para verificar o ocorrido. O que ele encontra é de gelar o coração. 




RESENHA:
Quando ouvi falar de NOTURNO, confesso que ele veio cheio de expectativas, todo mundo que já tinha lido falava tão bem e com tanto entusiasmo que eu pensei, ‘Uau preciso ler esse livro também!!’, e mesmo com toda essa euforia de vampiros (que eu confesso que as vezes enche um pouco), eu comecei a ler a obra de Guilhermo e Chuck e não me arrependi!!

Não leia esse livro à noite, sozinho ou em lugares sombrios, sério!!! Esqueça vampiros que brilham e todas as coisas lindas sobre esses seres, este livro traz os vampiros na essência real, sangue em excesso (e nojento por sinal) e a verdade nua e crua sobre eles.

O formato do livro é bem diferente, não estão divididos em capítulos, mas sim em partes e cada uma delas, onde seria o ‘capitulo’ vem aonde se passa aquele momento da narrativa, para quem não sabe, o livro na verdade é um roteiro que os autores queriam que virasse um seriado (mas parece que os direitos autorais foram comprados e será um filme), pode ser estranho no começo, mas com o tempo você acaba se habituando e ate é melhor para se entender o que acontece em cada canto da cidade de Nova Iorque.

Noturno tem uma narrativa meio macabra, o que explica o início do 2º parágrafo, mas nada que não te faça querer saber como a ‘coisa’ se espalhou e que rumo irá tomar (próximo livro com certeza). A talvez o único problema seja a quantidade de personagens e falar deles, pois tem um momento que acabamos nos perguntando, quem é esse mesmo? A única ‘vantagem’ é saber como essa transformação vampiresca aconteceu, meio como se explicasse aos poucos o que essa mudança faz ao organismo e quem esta por trás dessa conspiração para tentar dominar o mundo!!!

O livro comenta sobre a ameaça vampirica de um modo interessante –  tratando como um vírus, uma pandemia mundial - colocando um biólogo na frente dessa confusão (ele é um dos personagens principais) e com o lado mitológico (com um senhor que há tempos busca o vampiro e vai dar as dicas para nossos amigos de como conseguir matá-los).

É uma maravilhosa ficção científica, mas nos faz perguntar, e se fosse real? Como resolver?! Num momento onde qualquer gripe e doença que demore muito a passar vira um drama mundial, ter vampiros em escala mundial não é uma boa idéia!!

Eu sei que alguns fãs vão reclamar e dizer que Crepúsculo ou Academia de Vampiros ou Morada da Noite é melhor, não digo que são melhores, mas em termos de ter o conto do vampiro original – não sair de dia, precisar de sangue para viver, como ocorre as transformações, esquecer quem é – são mostrados nesse livro maravilhosamente bem.

Curiosidade: e para quem acha que apenas em VA que o termo strigoi é usado... aqui ele fala bastante, afinal o vampiro aqui é chamado pelo termo todas as vezes que ‘nos encontramos’ com ele.

Se você quer ler sobre vampiros e se arrepiar, se prepare ao ler Noturno, totalmente recomendado e para você que quer conhecer outros vampiros além dos bonitinhos, fofos e perfeitos, pode começar com esse que vocês irão ter um *ut@ choque!!!

Minha nota - 10
Preços:
Saraiva – R$ 35,40
Subarino – R$ 35,40

E você o que acha/achou deste livro?? Comente!!!


Embaixo eu coloco um trechinho do inicio do livro, só para vocês verem o que esperar, essa historia é mega importante na historia (fica a minha dica!!)



A lenda de Jusef Sardu  
Era uma vez... um gigante — disse a avó de Abra-ham Setrakian.
Os olhos do jovem Abraham brilharam, e ime-diatamente a sopa de repolho na tigela de madeira ficou mais gostosa, ou com menos sabor de alho. Ele era um garoto pálido, magro e doentio. Querendo fazer com que engordasse, sua avó sentava do outro lado da mesa en-quanto ele tomava a sopa e distraía o neto contando uma história.
Uma bubbeh meiseh, ―uma história de vovó. Um conto de fadas. Uma lenda. 


— Ele era filho de um nobre polonês e se chamava Jusef Sardu. Era mais alto do que qualquer outro homem. Mais alto do que qualquer telhado na aldeia. Precisava se curvar muito para entrar em qualquer porta, mas essa al-tura toda era um fardo. Uma doença de infância, não uma bênção. O rapaz sofria. Seus músculos não tinham força para sustentar aqueles ossos compridos e pesados. Às vezes, até caminhar era uma verdadeira luta. Como bengala, Sardu usava um cajado comprido, mais alto do que você, com o punho de prata esculpido com o formato de uma cabeça de lobo, que era o brasão da família.
— E então, bubbeh? — disse Abraham, entre uma colherada e outra.
— Sardu encarava aquilo como seu destino na vida, e aprendeu a ser humilde, coisa que poucos nobres con-seguem. Tinha muita compaixão pelos pobres, trabalhadores e doentes. Era especialmente querido pelas crianças da aldeia. Grandes e profundos feito sacos de nabos, seus bolsos viviam cheios de doces e brinquedos. Ele mesmo não tivera infância, pois igualara a altura do pai aos oito anos, e já aos nove era uma cabeça mais alto. Sua fragili-dade e seu enorme tamanho eram uma fonte secreta de vergonha para o pai. Mas Sardu era um gigante gentil e adorado pelo seu povo. Diziam que ele olhava para todos lá de cima, mas sem rebaixar ninguém.
A avó meneou a cabeça, lembrando o neto de to-mar outra colherada. Mastigando uma beterraba vermelha cozida, conhecida como ― coração de bebê devido à cor, à forma e aos fiapos semelhantes a veias, Abraham disse:
— E então, bubbeh?
— Ele também era um amante da natureza, e não nutria interesse pela brutalidade da caça... mas, como nobre e homem de posição, aos quinze anos foi levado pelo pai e pelo tio numa expedição de seis semanas à Romênia.
— Até aqui, bubbeh? — indagou Abraham. — O gigante veio até aqui?
— À região do norte, kaddishel. Às florestas escuras. Os homens do clã Sardu não vieram caçar porcos selvagens ou alces. Vieram caçar lobos, o símbolo da família, o brasão da Casa de Sardu. Eles caçavam um animal preda-dor. As lendas da família Sardu diziam que comer carne de lobo dava a seus homens coragem e força. O pai do gi-gante gentil acreditava que isso poderia curar os músculos fracos do filho.
— E então, bubbeh?
— A jornada foi longa e árdua, além de muito prejudicada pelas más condições do tempo. Jusef lutava bravamente. Nunca viajara para lugar algum fora da aldeia e ficava envergonhado com os olhares que recebia de desconhecidos ao longo do caminho. Quando chegaram à floresta escura, a mata parecia viva em torno dele. Durante a noite, matilhas de animais percorriam a floresta, quase como refugiados deslocados de seus abrigos, ninhos e co-vis. Eram tantos animais que os caçadores não conseguiam dormir no acampamento. Alguns queriam partir, mas a obsessão do velho Sardu estava acima de tudo. Os lobos podiam ser ouvidos, uivando à noite, e ele queria muito um lobo para seu filho, aquele filho único cujo gigantismo manchava a estirpe Sardu. Era preciso livrar a casa de Sardu daquela maldição, casar seu filho e produzir muitos herdeiros sadios.
―Acontece que, ao perseguir um lobo, o pai de Ju-sef foi o primeiro a ficar separado dos outros, pouco antes de anoitecer no segundo dia. O pessoal passou a noite esperando por ele, e depois do alvorecer todos se espalharam para começar a busca. Acontece que à noite um dos primos de Jusef não voltou. E assim por diante, entende?
— E então, bubbeh?
— Até que o único que restou foi Jusef, o menino gigante. No dia seguinte ele partiu e, numa área já vasculhada, descobriu os corpos do pai, dos tios e dos primos jogados na entrada de uma caverna subterrânea. Os crânios haviam sido esmagados com grande violência, mas os corpos não haviam sido devorados, coisa que levou Jusef a supor que eles haviam sido mortos por uma fera de força tremenda, mas não por fome ou medo. O motivo ele não conseguia imaginar, embora se sentisse vigiado, talvez até mesmo estudado, por algum ser à espreita dentro da caverna escura.
―O menino Sardu carregou cada corpo para fora da caverna e enterrou todos profundamente. É claro que ficou severamente enfraquecido por esse esforço, que lhe roubou a maior parte das forças. Ele ficou esgotado, farmutshet. Mesmo sozinho, amedrontado e exausto, à noite retornou à caverna, para enfrentar o mal que se revelava depois do escurecer, vingar seus antepassados ou morrer tentando. Nós só sabemos disso devido a um diário que ele mantinha, e que foi descoberto na mata muitos anos depois. Essa era a última anotação.
A boca de Abraham estava aberta e vazia.
— Mas o que aconteceu, bubbeh?
— Ninguém sabe ao certo. Lá na casa do clã, as tais seis semanas viraram oito, e depois dez. Sem notícias, te-mia-se que todos os caçadores houvessem se perdido. Foi formada uma equipe de busca, que nada descobriu. Então, durante a décima primeira semana, certa noite chegou uma carruagem de cortinas fechadas. Era o jovem senhor. Ele se fechou sozinho dentro do castelo, numa ala só com dormitórios vazios, e raramente, se é que alguma vez, foi visto novamente. Na época, só boatos davam conta do que lhe acontecera na floresta da Romênia.
Os poucos que alegavam ver Sardu... caso fosse realmente possível acreditar nesses relatos... insistiam que ele se curara das enfermidades. Alguns até mesmo murmuravam que ele retornara possuidor de uma força enorme, compatível com seu tamanho sobre-humano. Contudo, era tão profundo seu luto pelo pai, pelos tios e primos, que ele nunca mais foi visto durante as horas de trabalho, e dispensou a maioria dos empregados. Havia movimento no castelo à noite, pois via-se o clarão das lareiras brilhando nas janelas, mas com o tempo a propriedade dos Sardu foi caindo no abandono.
―Mas, então, à noite... alguns alegavam ouvir o gigante caminhando pela aldeia. A criançada, principalmente, contava que ouvia o toque-toque-toque da bengala dele. Sardu não usava mais aquilo para se apoiar, e sim para ti-rar as crianças da cama, oferecendo-lhes brinquedos e guloseimas. Os descrentes eram levados para ver os buracos no solo, alguns embaixo das janelas dos quartos: eram pequenos orifícios redondos, como se fossem feitos pela bengala com cabo de cabeça de lobo.
Os olhos da bubbeh ficaram sombrios. Ela olhou para a tigela, vendo que a maior parte da sopa se fora.
— Então, Abraham, alguns filhos de camponeses começaram a desaparecer. Corriam histórias sobre o sumiço de crianças também nas aldeias próximas. Até mesmo na minha própria aldeia. É, Abraham, quando menina, a sua bubbeh morava apenas a meio dia de caminhada do castelo de Sardu. Eu me lembro de duas irmãs. Seus corpos foram encontrados numa clareira no bosque, tão brancos quanto a neve ao redor, com os olhos abertos vidrados pela geada. Eu própria ouvi certa noite, não muito distante, o toque-toque-toque daquela bengala. Era um barulho tão forte e ritmado que puxei meu cobertor depressa sobre a cabeça para me isolar. Depois passei muitos dias sem conseguir dormir.
Abraham engoliu o final da história junto com o resto da sopa.
— Grande parte da aldeia de Sardu acabou abandonada e virou um lugar amaldiçoado. Quando a caravana dos ciganos passava pela nossa aldeia vendendo artefatos exóticos, eles nos falavam de acontecimentos estranhos, assombrações e aparições perto do castelo. De um gigante que percorria a terra enluarada feito um deus da noite. Eram eles que nos alertavam: ―Comam e fiquem fortes... ou Sardu virá pegar vocês.
Por isso é importante, Abraham. Essgezunterhait! Coma e fique forte. Raspe essa tigela agora. Se não, ele virá. — Ela já voltara daqueles poucos momentos de escuridão, de lembranças. Seus olhos voltaram a ser vividos, como sempre. — Sardu virá. Toque-toque-toque.

Continua...

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