BOOKS || Sepulcro (Kate Mosse)

Autora: Kate Mosse
Editora: Suma das Letras
Tema: Romance (estrangeiro)
Em Rennes-les-Baisn, uma charmosa vila do sul da França, as lendas sobre seres estranhos correm de boca em boca. Mas seriam mesmo apenas rumores espalhados pelos ingênuos moradores?
Algo maligno parece haver despertado...
Os acordes de uma obra de Debussy saem de um antigo sepulcro e os fantasmas do passado dançam ao compasso da musica. Tudo começa com uma leitura de cartas de tarô, que marcará os destinos de Léonie e Meredith, duas mulheres que vivem em dois séculos diferentes. Dois destinos que, segundo as cartas são apenas um.
Musica, amores infelizes, assassinatos, perseguições, esoterismo e autores malditos tecem os fios deste fascinante romance.Dentro desse sepulcro encontraremos as respostas que suas protagonistas perseguem e que determinarão os caminhos de suas vidas para sempre.

Resenha:
O segundo romance de Kate Mosse – Sepulcro trás um tema bem interessante e que muitas pessoas gostam de dar uma “espiadinha”, cartas de tarô. A história que envolve romance, mortes, suspense e busca por sua origem, faz a autora escrever paginas sobre personagens envolventes e complexos.

Para quem já leu o primeiro romance dela – O Labirinto – sabe que a autora trabalha com a história correndo em dois tempos. Uma no passado, nesse livro por volta do ano 1870 e uma no presente, ano 2007. E sempre seus personagens principais (tanto no passado quanto no futuro) possuem alguma coisa em comum. Geralmente as historias se passam na França. Não vou contar qual é nesse livro, senão vai perdera graça :p

A historia começa em 1891 num cemitério em Paris, os personagens se encontram num enterro e é onde começa, podemos dizer assim, todo drama pessoal da família Vernier que será contado ao longo da historia. A personagem principal nesta época – Léonie é uma adolescente de seus 17 anos que tem o mundo pela frente, um tanto sonhadora e bastante espevitada. Seu irmão mais velho Antole e sua mãe Marguerite completam o quadro familiar.

No futuro, 2007, a personagem se chama Meredith e ela esta escrevendo uma biografia sobre o musico Debussy e acaba indo a França para saber mais sobre o musico e visitar os locais que são mencionados durante suas descobertas.

A historia segue falando de Paris no auge, com pinceladas sutis dos movimentos artísticos na França, a obra da Torre Eifell é comentada, bem como o Palais Garnier (momento curiosidade: O Teatro Municipal do Rio de Janeiro é uma copia). Mas tudo muda na vida dos personagens quando eles recebem uma carta de uma tia (a qual não vêem há anos) informando para visitá-los numa cidadezinha do interior chamada Rennes-les-Bains na qual a casa da família situada na Herdade do Cade parece estar envolta de mistérios. Histórias assustadoras de bestas demoníacas a solta na propriedade, livros com temas místicos estranhos e a ousadia da jovem, fazem o enredo melhorar bastante nessa parte do livro.

Paralelamente, Meredith chega a Paris e começa a procurar os locais e saber mais sobre o músico para que possa completar sua biografia e ao mesmo tempo vê em Paris/França a chance de resgatar sua origem, pois tudo que ela conta é com uma partitura e uma foto de um soldado tirado na época da I Guerra Mundial. Em Paris, acontece a grande virada na vida dela, pois sem querer ela acaba indo a uma cartomante e suas cartas revelam algo não resolvido no passado e que ela será protagonista de algo importante. (Para mim, é um dos momentos bem legais do livro, pois é explicado como tirar as cartas de tarot, alem de comentar o que cada carta significa).

O grande momento da história sem duvida é quando ambos estão em Herdade do Cade, no passado os protagonistas (Léonie e Antole) estão na casa da tia Isolde e Meredith se encontra na casa que agora foi transformada em hotel. Na Herdade, o drama se desenrola alem dos boatos sobre a besta, as famosas cartas de tarô que teriam um poder especial e o sepulcro da propriedade que também abriga mistérios. Léonie quer saber o que aconteceu com o tio há 30 anos atrás e porque a casa a faz se sentir estranha e Meredith quer entender porque Léonie parece querer falar com ela.

Bem, não vou contar o final, porque senão vai perder totalmente a graça. Mas este livro, na minha opinião, tem um final meio xoxo, você se enche de expectativas ao longo das partes (ela divide em partes cada vez que muda de tempo) e nos finais, tanto no passado quanto no presente, ela mostra apenas uma meia dúzia de capítulos para explicar todos os acontecimentos. Ou seja, quando chega na hora de mostrar o porque da historia, o verdadeiro desenrolar dos acontecimentos tudo parece meio en passant,ou seja, ela termina muito superficialmente.

Quem leu O Labirinto, vai acabar percebendo semelhança em alguns personagens (os personagens principais são citados) e lugares como Carcassonne e Los Seres. Escolhendo entre os dois livros da autora, eu ainda prefiro o primeiro, foi mais fechadinho, conciso e realmente um final mais surpreendente do que O Sepulcro. Quem lê prestando bem atenção aos detalhes já vai saber que certas coisas irão acontece, porque elas são mencionadas durante as buscas de Meredith, por isso, voce fica na esperança de querer saber como foi e se poderia ter sido evitado. Apesar de gostar dessa nuance de historias paralelas sobre o mesmo tema, as vezes um tanto monótono ficar indo e voltando no tempo. E acaba ate perdendo a magia da historia.

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